terça-feira, 12 de julho de 2016

RIO 2016: "Heróis" do primeiro ouro Olímpico no voleibol brasileiro conduziram tocha no Rio Grande do Sul

"Heróis" do primeiro ouro Olímpico no voleibol brasileiro conduziram tocha no Rio Grande do Sul
Ex-atleta e comentarista de TV, Tande levou a medalha de ouro para conduzir a chama 

O primeiro ouro Olímpico do voleibol brasileiro, conquistado em Barcelona 1992, foi representado por quatro heróis do feito no revezamento da tocha Olímpica pelo Rio Grande do Sul. Janelson, ex-ponteiro da seleção conduziu a chama em Caxias do Sul, nesta sexta-feira (8). Na véspera, quinta-feira (7), em Porto Alegre, o ex-meio de rede Paulão teve a companhia dos colegas de time Marcelo Negrão (ex-oposto) e Tande (ex-ponteiro), que levou a medalha na condução. Também jogadores e filhos de Paulão, Pedro, de 20 anos, e Pietra, de 18, participaram do revezamento na capital gaúcha. “Foi um orgulho viver esse momento em família. Isso tem tudo a ver com o conceito da chama Olímpica, que é a continuidade, a preservação dos valores. Meus filhos já foram campeões sul-americanos na base e estão trilhando o caminho deles”, disse Paulão.

Em 1992, o jogador também era uma espécie de “paizão” da equipe, o titular mais velho entre jovens talentos do time campeão Olímpico. “Essa mescla de guris com os caras mais experientes, como o Amauri, o Pampa, o Carlão e eu, harmonizou o grupo. Mas nunca precisamos puxar a orelha de ninguém, era uma seleção muito consciente”, lembra Paulão.


Amauri, o remanescente da Geração de Prata de 1984 na equipe de 1992, e os outros atletas mais experientes, eram referências em quadra para os mais novos, mas também se integraram ao grupo, como lembrou Tande: “Experiência com juventude sempre deu certo. Tivemos uma cumplicidade, éramos grandes jogadores separadamente, nos identificamos e foi um ‘start’ para aquela situação. Começamos a enxergar a nossa equipe. Jovens talentosos com objetivo comum ninguém segura. E o principal era representar o Brasil juntos e unidos”.

Quando o Brasil chegou a Barcelona, há 24 anos, quase ninguém apostava no ouro. A favorita era a Itália, que tinha uma equipe de craques. Era credenciada pelo título mundial de 1990, numa competição em que o Brasil ficou em quarto lugar. “Em 1992, a gente queria ficar pelo menos entre os cinco primeiros, o que já seria excelente, já que o projeto visava principalmente Atlanta 1996. Aí, foi dando tudo certo. Os Jogos Olímpicos são emocionalmente muito pesados, cercados de cobranças. Mas o nosso time não tinha nada disso. Muita gente dizia na época: ‘Ah, vocês tiverem sorte de não encarar a Itália’. Hoje eu respondo: ‘Foi sorte nossa ou da Itália?’ Porque, do jeito que estávamos jogando, não tinha para ninguém”, destaca Paulão.

Para Marcelo Negrão, autor do ‘ace’ que fechou em 3x0 a partida contra a Holanda na grande final, o Brasil conquistou o ouro “comendo pelas beiradas”. Mais do que o treino pesado típico de quem se prepara para os Jogos, a seleção levou para a quadra um diferencial surpreendente: “Estávamos com um esquema de ataque diferente do que se joga, inclusive hoje. Atualmente, são três, quatro jogadores no ataque. Viemos com cinco, todos com chances de atacar ao mesmo tempo. Isso fazia com que os adversários não soubessem para onde iria a bola. Os Jogos são muito rápidos, a equipe que chega com algum diferencial pode surpreender. Foi o que aconteceu com a gente”.

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