quarta-feira, 4 de novembro de 2015

SUPERLIGA 2015/16:Jogadoras falam de criação de grupo de diálogo contra ranking da CBV

Jogadoras falam de criação de grupo de diálogo contra ranking da CBV


Primeiro foi o caso Jaqueline, há pouco mais de uma semana Elisângela que pode estar se aposentando precocemente por não ter clube para jogar a Superliga e agora Fernanda Garay não renova seu contrato com o Dinamo Krasnodar, da Rússia, devido a crise financeira do clube. Por conta disso, seus salários no clube estão atrasados.

Então, Dani Lins, Fabiana, Thaisa e companhia em conversa pedem a extinção da pontuação individual e o teto por time. Elas e outras jogadoras fizeram o mesmo apelo em suas redes sociais nas últimas semanas. 

Durante a apresentação da Superliga 2015/2016 nesta terça-feira, a capitã do SESI-SP desabafou dizendo: “- A gente tem que se unir o mais forte possível, reunir o maior número de jogadoras para acabar com esse ranking. Não sei se é o certo ou errado, mas o que a gente faz é colocar nas redes sociais, tenta movimentar isso de alguma forma. Acho que temos que fazer isso não só pelas redes, temos que nos reunir, sim, e falar com os clubes. Realmente, os clubes fizeram uma votação (caso Lili) e não votaram a favor. Infelizmente, a gente fica nas mãos deles. Não defendo só o caso da Lili, tiveram outras várias jogadoras que tiveram que parar obrigatoriamente, várias jogadoras que saem do juvenil e nem sabem para onde vão. Times mais abaixo (na tabela) acabam por falta de investimento, patrocínio, e para onde essas jogadoras vão? Isso é uma coisa triste que vejo no nosso país, uma coisa que me deixa chateada. Tenho falado com Fernanda, situação complicada, antes das Olimpíadas. Ela deveria estar focada em estar bem no clube, mas está pensando em outras coisas. Imagina se ela fica sem jogar, entendeu? É uma coisa que te deixa sem dormir. A gente tem fé em Deus, acredita que ela vai conseguir achar um clube, mas temos que ir contra isso, que está prejudicando. Todo mundo quer aprender aqui, jogar aqui, mas, ao mesmo tempo, tem o caso da Fernanda, da Lili e de outras várias jogadoras. Você não poder jogar no seu próprio país, na sua casa, me deixa triste. Hoje, é a Lili que tem 37 anos. Depois, pode acontecer comigo, posso querer jogar e não ter clube. Eu, Fabiana, sou contra o ranking.”

A situação de Fernanda Garay é complicada, pois para as equipes de “ponta”, como Vôlei Nestlé Osasco, SESI-SP, Rexona/ADES e Praia Clube, a gaúcha não tem espaço pois já tem pontuação máxima (7 pontos) no ranking da CBV, então ela teria que ir para uma equipe de menor expressão e investimento mais enxuto. Paulo Coco, treinador do Minas, gostaria de tê-la no elenco, mas precisaria de investidores. Sendo assim, para manter a forma física, Garay treina junto com as meninas do Vôlei Nestlé Osasco, no José Liberatti.

“- A maioria dos times já está com seu elenco definido e, dificilmente, acontece de contratar uma jogadora agora. Porém, a regra permite que até dezembro você consiga escrever alguma jogadora. Alguns times me procuraram, a gente está conversando, negociando, e eu espero que nos próximos dias tenha uma camisa para vestir” - disse Garay ao SporTV.

Dani Lins acredita na união das atletas e uma alternativa para a extinção do ranking e acredita ver sua companheira de seleção atuando por um clube o mais rápido possível: “- Nós queríamos estar fazendo uma Superliga muito melhor, trazendo todas as jogadoras para o Brasil, como a Sheilla (joga na Turquia), a Fabíola (também do Dinamo Krasnodar). Seria melhor para a seleção brasileira. Eles (dirigentes da CBV) falam que os clubes aceitaram (o regulamento), mas tem que partir da CBV acabar com o ranking. Revolução, essas coisas, não dão certo. A gente sofre muito, nossos patrocinadores sofrem e os torcedores também, pois querem ver a gente jogar. Mas, a verdade, é que nós temos que conversar, sim, sentar seriamente com todo mundo e resolver.”

Thaisa também já tentou se pronunciar, porém não foi ouvida. E disse em entrevista que dentro do próprios clubes existem barreiras para casos como o da Lili: “- A gente tentou fazer isso, já cheguei em reunião da CBV e não tive voz. Só que eles esquecem que, se não tiverem as atletas, não tem patrocinador, clube e campeonato. Quando tiver uma reunião, tem que chegar lá, votar contra o ranking e acabar com isso. A Fabi (Fabiana) pediu para o técnico dela (Talmo) e ele não deu a menor bola para o caso (Lili) e disse "não". Está nem aí. O Wagão (Pinheiros) também, inclusive, já trabalhou com ela. Como assim? Eles têm que colocar a mão na consciência, é muito clubismo. Às vezes, esquecem das atletas. O que adianta eles trazerem atletas de fora, se as nossas estão saindo? Tem alguma coisa errada.”

Sobre o assunto, o técnico do Pinheiros, Wagão e, o diretor de competições da Superliga e ex-técnico, Radamés Lattari, se pronunciaram: “- O Pinheiros entende que a regra determinada na reunião de clube tem que ser seguida. Abrir uma exceção, a 20 dias do início da Superliga, poderia originar outros pedidos de outras jogadoras. A gente acha que não cabe. Tudo isso expôs as jogadoras e a gente também, uma situação constrangedora. Acredito que todos possamos sentar e resolver para a próxima Superliga. A gente não votou contra a Lili, não foi nem voto. Quero que todas joguem - defendeu-se Wagão.”

Já o dirigente disse: “- Todo ano, em fevereiro, se tem a primeira reunião sobre o texto do ranking. Nesse ano, os 24 clubes (masculino e feminino) acharam que esse texto deveria valer por dois anos, uma unanimidade, ninguém votou contra. No dia 1º de abril, teve a votação das pontuações. Não pode ser a CBV que vai modificar isso, se é ela quem gere a competição dos 24 clubes que votaram a favor disso. É uma situação que não nos metemos. Na próxima reunião, em fevereiro de 2016, vamos colocar a pauta em assunto. Se os clubes acharem por bem modificar o sistema de pontuação, assim o faremos”

O assunto "Fernanda Garay" já chegou aos ouvidos do técnico da seleção brasileira, José Roberto Guimarães, que disse: “- Preocupante, muito preocupante. Tenho mantido contato com ela e sei que ela tem contatos no Brasil e na Europa. A expectativa é grande, mas é outra jogadora que não está jogando em um ano pré-olímpico. Quero que ela escolha o que for melhor para ela. Na Europa, os campeonatos já começaram, no Brasil ainda vai começar. Só gostaria que ela jogasse num grande centro.”


Fonte: GloboEsporte.com
Foto: Reprodução Facebook
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