domingo, 26 de abril de 2015

SUPERLIGA FEMININA 2014/15: Rexona-Ades vence Molico/Nestlé e conquista o décimo título

Rexona-Ades vence Molico/Nestlé e conquista o décimo título da Superliga

O Rexona-Ades é o campeão da Superliga feminina de vôlei 2014/2015. O time carioca faturou o título neste domingo (26.04), diante de um público de 14.991 pessoas, na Arena da Barra, no Rio de Janeiro (RJ), ao levar a melhor sobre o Molico/Nestlé na grande decisão. O grupo comandado pelo técnico Bernardinho venceu por 3 sets a 0, com parciais de 25/21, 25/23 e 25/19, em 1h32 de partida, e conquistou o decacampeonato.

Com a vitória, o Rexona-Ades segue em vantagem no histórico dos confrontos diretos em decisões da Superliga, com sete títulos, contra três do Molico/Nestlé. Na retrospectiva entre os times, foram 75 partidas, com 42 resultados positivos para o time do Rio de Janeiro e 33 para a equipe de Osasco. 

No jogo que marcou sua despedida das quadras em solo brasileiro, a levantadora do Rexona-Ades, Fofão, foi eleita a melhor jogadora da partida e ficou com o Troféu VivaVôlei. A ponteira Natália, também do time carioca, foi a maior pontuadora do confronto, com 16 acertos. A atacante Gabi teve boa pontuação, com 12 acertos. Pelo lado do Molico/Nestlé, a central Adenízia foi quem mais marcou, com 12. 

O treinador campeão, Bernardinho, fez uma análise da partida e parabenizou a equipe carioca pela postura ao longo da competição e no jogo decisivo. 

"Não esperava (o placar de 3 a 0), mas é aquela história. O segundo set foi decidido por dois pontos, o terceiro estávamos atrás e abrimos no final. Algumas jogadoras que cresceram na reta final, a Ivna, a Gabi, que foram excelentes nas semifinais, principalmente, mas conseguimos controlá-las e acabaram sendo substituídas. E conseguimos controlar a Thaísa, que na nossa opinião, junto com a Dani Lins, é a jogadora mais importante do Osasco, a válvula de escape", disse Bernardinho, que ainda chamou a atenção para o início do duelo. 

"A parte inicial foi muito importante, para mostrar que brigaríamos de igual para igual e a coisa começou a dar certo, jogamos taticamente de forma correta. O equilíbrio no segundo e terceiro set foram enormes. Acho que foi fundamental termos jogado muito bem taticamente. Não vi quantos pontos a Thaísa fez, mas para quem tinha feito na casa dos 20 pontos no último jogo, hoje foram muito poucos pontos (sete pontos) para uma jogadora no nível dela. Jogamos bem e fomos comprimindo o bloqueio em cima dela e isso foi deixando a Dani Lins sem opções em certos momentos. Mas independentemente do placar o importante é a vitória, o título e a Fofão encerrar aqui em casa de maneira tão bonita, tão brilhante. Ninguém merecia um desfecho tão bonito e de ouro como ocorreu com ela", garantiu Bernardinho. 

No Molico/Nestlé, o técnico Luizomar não conseguiu esconder a tristeza pela resultado, mas enalteceu o espírito de luta de sua equipe ao longo da Superliga. 

"Nós tivemos problemas, conseguimos nos ajustar a tempo de lutar pelo título. Hoje, infelizmente, não fizemos uma boa partida e contra um time como o Rexona, que foi o mais regular da competição, não se pode desperdiçar nenhuma chance", disse o treinador, que completou: "A equipe continua trabalhando. É um time que envolve a cidade, e a gente fica frustrado, pois queria dar essa alegria aos torcedores. A Nestlé é um grande patrocinador e marca mais uma vez sua história no esporte com esta final", garantiu Luizomar de Moura 

Uma carreira histórica


A 21ª final da Superliga feminina de vôlei ficou marcada pela despedida das quadras brasileiras de um dos grandes nomes da história do voleibol verde e amarelo. Aos 45 anos, a levantadora Fofão fez, neste domingo, o seu último jogo em território brasileiro. E a despedida foi em grande estilo. A jogadora conquistou o seu quinto título da competição - 98/99 pelo Uniban/São Bernardo (SP), 01/02, pelo MRV/Minas (MG), e, 12/13, 13/14 e 14/15 pelo Rexona-Ades - brilhou em quadra, foi eleita a melhor da partida e se manteve como a alma de uma equipe que teve a melhor campanha de todos os 13 times que participaram da competição. 

A levantadora Fofão comentou sobre os momentos que antecederam a partida e garantiu que o jogo ficará marcado para sempre em sua memória. 

"A hora que eu chorei mesmo foi quando tocou o hino, mas foi muito rápido, espero que ninguém tenha visto. Por mais que fosse um momento difícil, não era a hora de demonstrar qualquer fraqueza. Olhei para as arquibancadas procurando todo mundo que veio, procurando mãe, procurando família, que é o único momento que eu reparo no que está ao meu redor, pois quando começa o jogo eu me fecho ali e não vejo mais nada. Na hora do hino fiquei refletindo e fiquei emocionada por uns segundos, mas consegui controlar a emoção", disse Fofão, que ainda falou sobre a oportunidade de ter passado por diferentes gerações do voleibol brasileiros e a convivência com o treinador Bernardinho e com a ponteira Gabi. 

"Ter passado por três gerações foi uma experiência incrível. De repente eu cheguei, era a mais nova, depois fiquei com a mesma idade e depois virei a mais velha. Foi uma experiência de vida que nunca esquecerei. Tive jogadoras que me ensinaram, eram craques e me deram referências para eu virar capitã, mas ao mesmo tempo, jogadoras de gerações mais jovens, como a Gabi, queria até falar para ela que ela de como ela me ajudou neste ano. Eu acho que ela é especial, e acordar todo dia e olhar para ela, não sabe como isso me fez bem. A alegria dela contagia todo mundo, serve de motivação, eu precisava disso, virei moleca do lado dela. Fazia coisas que eu me travei a vida inteira de fazer porque achava que tinha muita responsabilidade. Ela me fez voltar no tempo e ser feliz de novo. Ela nunca terá noção de quanto ela me fez bem", afirmou Fofão, que ainda guardou palavras especiais para o treinador Bernardinho. 

"Aproveito o gancho para agradecer também ao Bernardo. Eu não poderia estar em outro lugar, tinha que estar aqui para esse momento. Pois por mais experiência que eu tenha, ele nunca me tratou como a Fofão, ele sempre cobrou de mim, e era disso que eu precisava, não queria ninguém passando a mão na minha cabeça. Se eu estivesse mal eu saía, senão dava uma chance para ver se a coisa ia. Me tratava igual a todo mundo, pois era isso que eu precisava, não queria estar aqui só porque sou a Fofão, então esse respeito que ele teve comigo, a vontade que ele tem de vencer me ajudaram. Ainda temos o Mundial que vamos buscar antes de eu fechar esse ciclo, mas eu queria deixar registrado este agradecimento", disse Fofão. 

O treinador Bernardinho fez questão de elogiar Fofão pela dedicação e a postura dentro e fora de quadra ao longo de uma carreira marcada por títulos e uma incrível longevidade.

"O diferencial não tem muito a ver com um detalhe técnico ou tático, que a gente respeita e faz, claro. Elas cumprem muito bem. Mas existe a postura, a pessoa. E digo que a Fofão é um exemplo por isso. Não apenas porque é uma grande jogadora, se transformou ao longos dos anos na maior levantadora do país e do mundo, mas é a pessoa. Esse sorriso. Uma preocupação que tenho apenas com a aposentadoria dela é quanto ela sentirá falta disso. Ela não está irritada no hotel, na concentração, está feliz de estar com as meninas. Uma paixão muito longa, bacana. É uma menina de 45 anos, jogou mal e saiu chorando um dia, nas quartas de final. Você vê a importância daquilo, do esporte, para ela. Com essa idade, chorou porque não foi bem em uma partida. A gente busca pessoas com esse tipo de postura, de atitude, paixão pelo que faz. E temos dois exemplos aqui, uma jovem que já tem esse perfil, a Gabi, e está construindo e uma que está se aposentando. Precisamos que as jovens se inspirem nisso", ressaltou Bernardinho. 

O nome de Fofão se tornou sinônimo de voleibol de qualidade. Campeã olímpica em Pequim, 2008, a levantadora participou de cinco Olimpíadas em sequência, de Barcelona, em 1992 a Pequim, em 2008, nas quais foi ainda duas vezes medalhista de bronze, em Atlanta (1996), e Sydney (2000). Foram ainda seis títulos do Grand Prix (94/96/98/04/06 e 08), uma medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, em 1999, dois vice-campeonatos mundiais, 1994 e 2006, além de outras conquistas com a seleção brasileira. 

A temporada da Gabi


Aos 20 anos, a ponteira Gabi, do Rexona-Ades (RJ), foi um dos destaques na campanha da equipe carioca na Superliga feminina de vôlei 14/15. A jovem jogadora terminou a competição como a maior pontuadora, com 426 pontos e ainda foi a atacante mais eficiente da competição. Para corar um ano marcante, Gabi conquistou seu terceiro título (12/13, 13/14 e 14/15) consecutivo da Superliga pela equipe carioca e ganhou elogios do treinador Bernardinho. 

"A gente sempre busca um equilíbrio. Acertamos e erramos, mas estamos sempre pensando em melhorar. Lembro quando vimos a Gabi jogar pela primeira vez, atuando pelo Mackenzie, e pensei ‘quero essa menina jogando conosco daqui algum tempo’. Vimos ali um potencial, e mais do que potencial, alguém que joga com um sorriso no rosto, com uma energia positiva. Jogadoras com esse espírito, e espero que chegue na idade da Fofão com o espírito que ela chegou, é o que buscamos. E posso falar da Carol, da Regiane, da Amanda. A Amanda estava chorando copiosamente. E ela entra para sacar, vai lá e faz um ponto importante, fez diversos ao longo desses anos", analisou Bernardinho. 

A ponteira Gabi agradeceu as companheiras pela conquista e garantiu que a temporada ficará marcada pela despedida de Gabi. 

"São três títulos que eu tive a oportunidade de conquistar aqui neste time, e acho que cada um teve uma emoção diferente. Com certeza o deste ano ficará marcado na minha carreira por ter tido a honra de participar deste momento da despedida da Fofão. Foi uma temporada muito boa, tive altos e baixos, conseguimos mostrar a força do nosso grupo, principalmente na final", finalizou Gabi. 

O JOGO

Depois de um contra-ataque, a cubana Carcaces fez o primeiro ponto do jogo. A ponteira Natália conseguiu dois pontos de contra-ataque, as cariocas viraram o marcador e abriram três (4/1). Bem no bloqueio, o Rexona-Ades foi para o primeiro tempo técnico em vantagem (8/5). Quando o placar estava 13/7 para a equipe do Rio de Janeiro, o treinador Luizomar de Moura, de Osasco, trocou as opostos. Entrou Mari e saiu Ivna. Com Natália se destacando no ataque e Carol no bloqueio, as cariocas fizeram 16/8. O saque do Rexona-Ades incomodava a recepção do Molico/Nestlé e a diferença no placar subiu para oito (21/13). O Rexona-Ades segurou uma reação do time de Osasco e venceu o primeiro set por 25/21. A ponteira Natália foi a maior pontuadora da parcial, com nove acertos. 

O Rexona-Ades seguiu melhor no início do segundo set e fez 4/2. A oposto Régis conseguiu um ace e as cariocas seguraram a vantagem (6/4). Na sequência, o treinador Luizomar de Moura pediu tempo. Quando o placar estava 8/5, foi a vez de Luizomar de Moura inverter o cinco e um. Entraram Diana e Ivna e saíram Mari e Dani Lins. Mesmo com as substituições, o Rexona-Ades continuou melhor e fez 13/9. A central Thaísa conseguiu um ace e a diferença no marcador caiu para dois (14/12). O contra-ataque das cariocas voltou a funcionar e o Rexona-Ades abriu cinco com um ace da ponteira Amanda (18/13). Bem no saque, o Molico/Nestlé encostou no marcador (19/18). O Rexona-Ades foi melhor na parte final da parcial e venceu o segundo set por 25/23.
A ponteira cubana Carcaces foi a maior pontuadora da parcial, com seis acertos. 

O Molico/Nestlé voltou melhor para a terceira parcial e fez 7/4. Bem no bloqueio, a equipe de Osasco abriu quatro (9/5). O time carioca passou a bloquear com mais eficiência e a diferença no marcador caiu para dois (11/9). Se aproveitando dos erros da equipe de Osasco, o Rexona-Ades empatou (12/12). A oposto Mari cresceu de produção e o Molico/Nestlé abriu dois (15/13). Numa boa sequência de saques da central Juciely, o time carioca voltou a liderar o marcador e abriu quatro (19/15). O Rexona-Ades segurou a vantagem até o final da parcial e venceu o terceiro set por 25/19 e o jogo por 3 sets a 0. 

EQUIPES

REXONA-ADES - Fofão, Natália, Juciely, Carol, Régis e Gabi. Líbero - Fabi
Entraram - Roberta, Bruna, Amanda, 
Técnico: Bernardinho

MOLICO/NESTLÉ - Dani Lins, Ivna, Adenízia, Thaisa, Carcaces e Gabi. Líbero - Camila Brait
Entraram - Mari, Samara e Diana 
Técnico: Luizomar de Moura

FINAL

26.04 (DOMINGO) - Rexona-Ades (RJ) 3 x 0 Molico/Nestlé (SP) (25/21, 25/23 e 25/19)

LOCAL/HORÁRIO: Arena da Barra, no Rio de Janeiro (RJ), às 10h15
TEMPO DE JOGO: 1h32
TROFÉU VIVAVÔLEI: Fofão (Rexona-Ades)
MAIOR PONTUADORA: Natália (Rexona-Ades), com 16 pontos 

CLASSIFICAÇÃO FINAL

1º - Rexona-Ades (RJ)
2º - Molico/Nestlé (SP)
3º - Sesi-SP
4º - Camponesa/Minas (MG)
5º - Dentil/Praia Clube (MG)
6º - Pinheiros (SP)
7º - Brasília Vôlei (DF)
8º - São Cristóvão Saúde/São Caetano (SP)
9º - Rio do Sul/Equibrasil (SC)
10º - São Bernardo Vôlei (SP)
11º - Maranhão/Cemar (MA)
12º - Uniara/Afav (SP)
13º - São José dos Campos (SP)

PÚBLICO TOTAL

Pagante: 7.348 
Público total: 14.991
Renda total: R$ 264.445,00

Fonte/foto: CBV
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