quarta-feira, 21 de maio de 2014

SUPERAÇÃO: Natália Martins supera problemas de surdez e hoje é sucesso no vôlei

Natália Martins supera problemas de surdez e hoje é sucesso no vôlei 
Natália atuando pelo Praia Clube

A central do Natália Martins do Praia Clube, apresentou aos 4 anos de idade problemas de surdez, mas que só foi descoberto sete anos depois, aos 11, com o uso do aparelho descobriu novos rumos em sua vida. Ela é a primeira jogadora surda a figurar no elenco da seleção brasileira e espera a oportunidade de disputar o Montreux Volley Master de 27/05 a 01/06, em Montreux, na Suíça. 

“- Fiquei bastante surpresa com a convocação e muito feliz. Tive duas notícias felizes ao mesmo tempo: a cura de um tumor do meu pai e a convocação. Eu sou uma pessoa que não gosta de criar esperança para não ficar frustrada. Sou despretensiosa. Fiquei quietinha em casa e veio essa notícia. É o reconhecimento do nosso trabalho. Agora, quero agarrar essa oportunidade, plantar a semente e correr atrás” - disse Natália. 

Sua primeira experiência pela seleção foi em 2008 na categoria de novos e em 2011 foi convocada pela primeira vez para a seleção principal, substituindo a capitã Fabiana que estava com dores no ombro. Depois desse longo tempo fora, ganhou nova oportunidade no lugar da Bia, que pediu dispensa. Zé Roberto, técnico da seleção feminina, até revelou um “truque” de Natália para não ouvir broncas do “chefe”: “- Ela ouve naturalmente. Não atrapalha o treinamento. Mas ela é danada. Ela diminui o volume do aparelho quando vai tomar bronca. É a única coisa. O resto é normal. Tratamos como uma jogadora normal, e não como uma jogadora que tem um problema auditivo” – reforçou Zé Roberto. 

A central do Praia Clube se defendeu das “provocações” explicando que muitas vezes com o aparelho o volume fica muito alto, mas já tranquilizou a todos, dizendo que não irá mais usar esta tática. 

“- Não faço isso mais. Antes eu tinha um aparelho que me incomodava quando tinha muita gente falando. Então, desligava. Eu avisava para as meninas do meu time que estava desligando, e elas me ajudavam. Mas, com esse novo aparelho, não tem como fazer. Se eu desligar, a pilha pode cair, é complicado. Agora eu escuto as broncas. Eu brincava com isso com o Paulinho (Paulo Cocco, assistente técnico da seleção). Eles (técnicos) gostam de ficar me zoando, falam: “Vou dar esporro. Não desliga” – contou a sorridente jogadora. 

Natália começou se aventurando na ginástica, mas devido sua alta estatura, logo foi chamada para o vôlei. No início foi difícil a adaptação, mas com a ajuda de suas colegas no clube de sua cidade, foi aprendendo a conviver com as dificuldades, adaptou-se a comunicação e aos barulhos oferecidos pelo esporte. 

“- Tive 70% de perda de audição nos dois ouvidos. Com seis anos, comecei a usar aparelho auditivo e não parei mais. Mas eu só uso aparelho de um lado. No vôlei, não dá para usar nos dois. Posso levar uma bolada. Já tentei me adaptar com os dois, mas não consegui. Comecei a achar que era muito barulho também. Depois que você está acostumada a ouvir de um lado só, é muito difícil mudar. É como começar do zero, você tem que aprender tudo de novo – explicou.

Informações: Rafa/WCB News
Fonte: Globo
Foto: Divulgação
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