sábado, 28 de julho de 2012

LONDRES 2012: Entrevista com Fernandinha

Fernandinha fala da emoção de defender o Brasil em Londres 
 


Fernandinha foi convocada para jogar o Grand Prix ,quando foi chamada para atuar foi muito bem e correspondendeu as expectativas do técnico da Seleção Brasileira Feminina de Vôlei José Roberto Guimaraes.



Com esse bom desempenho a jogadora acabou se garantindo em Londres com também passou a ser a levantadora titular .

Fernandinha falou em uma entrevista para o Globo.com do começo da carreira de suas passagens pela ItálIa e Azerbaijão de seus melhores e piores momentos tanto na carreira quanto na vida de sua paixão por animais.


Além disso apontou as favoritas a medalha de ouro:

Em quem você se espelhou quando começou a jogar vôlei lá no América aos oito anos?
Fernandinha: Naquele período não tinha nenhuma jogadora em quem eu me espelhasse. Eu não queria jogar vôlei e lembro que meu pai disse que só continuaria jogando se quisesse. Mas bastou um treino para eu me apaixonar. Meus pais sempre foram atletas. Meu pai jogava futebol de areia e minha mãe vôlei, acho que por isso eles sempre foram meus ídolos. Sempre foram muito guerreiros e desde pequena eu os acompanhei jogando. Mesmo sem serem profissionais, eu percebia o quanto eles amavam aquilo que estavam fazendo.

O que você gosta de fazer quando não está jogando vôlei?
Fernandinha: Sou apaixonada por animais, tenho um cachorro e não sei viver sem. Levo para passear e brinco com ele sempre que posso. Gosto de sair para jantar, pois na Itália se come muito bem. Lá eu conheci uma pessoa que sempre me indicava os melhores restaurantes. Também adoro ficar em casa lendo e ir à praia quando estou no Brasil.


O que mudou no seu jogo depois de tanto tempo fora do Brasil?
Fernandinha: Sempre tive uma característica de jogar com bolas rápidas, mas quando fui jogar na Itália tive que aprender a jogar com bolas altas. Consegui convencer algumas companheiras a jogar com bolas rápidas, mas outras não e o jogo acaba ficando mais cadenciado. Quando cheguei aqui eu sofri um pouquinho até retomar minha maneira de jogar e me acostumar novamente com esse jogo mais veloz.

E como foi jogar num país como o Azerbaijão e nunca liga pouco conhecida?
Fernandinha: A liga no Azerbaijão é muito diferente da italiana porque lá são apenas sete times, sendo cindo deles muito fortes, com as principais jogadoras de várias seleções. É diferente porque cada jogo é uma final, você não pode dar mole. Foi uma experiência muito legal, não só pelo lado esportivo, mas por aprender uma nova cultura.

Qual o momento mais marcante e o mais frustrante da sua carreira?
Fernandinha: O mais marcante foi a conquista da Copa Cev, na Itália, pelo Yamamay, e o mais frustrante foi na última temporada que eu joguei no Brasil, pelo Osasco, quando perdemos a decisão da Superliga para Rio de Janeiro depois de estar vendendo o tie-break por quatro de pontos de diferença. Era uma medalha de ouro que eu já estava sentindo o gostinho, mas que infelizmente não veio


Você esperava uma convocação depois de tanto tempo jogando fora do país?
Fernandinha: Sinceramente, não. O Zé tentou me convocar antes, mas infelizmente não deu porque eu estava com um problema na coluna. Foi muito difícil dizer não e por isso eu realmente não imaginava ter outra oportunidade. Eu sempre falo que havia colocado um sonho na gaveta e ele estava dormindo. Achava que jogar na seleção não era para mim, mas felizmente eu estava enganada e ficar entre as doze jogadoras para os Jogos de Londres é uma sensação muito boa.

Sua ficha caiu que você estava em Londres quando o Zé Roberto anunciou o corte da Fabíola?
Fernandinha: Nem sei explicar, porque é tão difícil. Naquele momento ninguém fica feliz, de verdade. Eu não realizei que estava indo para as Olimpíadas, pois estava triste pela Fabíola, que é uma pessoa especial e que eu gosto muito. Eu voltei para casa com meus pais muito triste porque a gente sabe o quanto cada atleta que está aqui sonha em jogar pela seleção e estar nas Olimpíadas. Mas a ficha foi caindo devagarzinho do que estava acontecendo.

Como você encara as críticas e a desconfiança por parte de algumas pessoas?
Fernandinha: Eu procuro não ouvir as coisas que não me acrescentam. Do mesmo jeito que essas coisas batem, elas voltam. Eu procuro tirar proveito das críticas construtivas, mas esse tipo de coisa não vai me ajudar em nada.




Quais são as principais adversárias do Brasil em Londres?
Fernandinha: Os Estados Unidos são indiscutíveis no momento e a Itália, que apesar de não estar no seu melhor momento, é um time que sempre dá trabalho e que ainda vai crescer muito. A China não vem jogando bem, mas é um time chato, e aTurquia, que é a atual campeã europeia e vive um grande momento.

O que você pretende fazer quando parar de jogar vôlei?
Fernandinha: Essa é uma ótima pergunta que infelizmente eu não sei responder. Acho que essa é a grande pergunta que todos os atletas fazem, pois é muito difícil. Isso assusta e dá um frio na barriga muito grande, pois desde que tenho oito anos a minha rotina é essa. Tenho medo da falta que eu vou sentir do ritmo de treinos, dessa coisa louca que é a nossa vida e de não me adaptar ao que eu vou fazer quando parar.

Fonte: Globo
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