quarta-feira, 11 de abril de 2012

Entrevista com Fabi

Fabi

Se não fosse pela medalha de ouro conquistada na China guardada a sete chaves dentro de seu armário, nada teria mudado na vida simples da carioca Fabiana Alvim de Oliveira. Ou quase nada. Afinal, aos 29 anos e com as despedidas de Waleswska e Fofão após a Olimpíada de Pequim, Fabi assumiu o posto de jogadora mais velha e experiente da atual Seleção.

Fato até comum para quem defende seu país há sete anos. Mas de lá para cá, a verdade é que pouca coisa mudou na vida da líbero. A estatura (1,69m) e o jeito de moleca, por exemplo, são os mesmos dos tempos em que ela era apenas uma jovem promessa convocada pela primeira vez para uma Seleção Brasileira principal. Mas, com o tempo, a maturidade e a experiência dentro de quadra ganharam milhares de quilômetros de rodagem. Extrovertida e brincalhona como sempre, ela não liga para o rótulo de veterana e afirma que esse peso vai ficar apenas na idade, pois fisicamente ainda parece uma garota.


Apesar do tempo de casa, Fabi nunca foi a capitã do técnico Zé Roberto. Tampouco poderia ter sido. Afinal, pelas normas da Federação Internacional de Vôlei, os líberos, sabe-se lá por qual razão, nem ela soube explicar, não podem exercer essa função. De acordo com a escolha do treinador pela levantadora Dani Lins, a jogadora se mostra otimista com o futuro da nova geração, sabe que daqui em diante a cobrança só vai aumentar e reconhece que será difícil se manter no topo e repetir a trajetória vitoriosa da equipe masculina comandada por Bernardinho.



Torneio de Montreux

Fabi - Estamos ansiosas por ser nossa primeira competição com a Seleção após a conquista do ouro em Pequim. Sabemos que todas as adversárias querem saber a nova cara do Brasil. Afinal, apenas seis campeãs olímpicas foram convocadas e ainda não nos adaptamos totalmente a essas mudanças. Existe também uma ansiedade muito grande da nossa parte para saber como a equipe vai se comportar sem a Waleswska e a Fofão, que eram as mais experientes do grupo.


Pressão

Fabi - Assim como aconteceu com os meninos, agora todo mundo vai querer ganhar do Brasil. Mas sabemos que é muito difícil conseguir vencer quase todas as competições e se manter no topo como eles conseguiram durante dois ciclos olímpicos. Mas temos a consciência de que o ouro em Pequim resgatou a confiança do torcedor brasileiro na gente. Nós sempre acreditamos no nosso potencial e sabíamos que tínhamos condições de vencer qualquer competição, mas depois do título olímpico passamos a ser muito mais respeitadas por todos. Tiramos um peso muito grande das nossas costas. Afinal, sabíamos que algumas críticas e cobranças não eram gratuitas e tinham motivo. Mas também sabemos que agora seremos muito mais cobradas. Acho que a pressão de se manter no topo será nossa maior motivação daqui para frente.

Reconhecimento após o ouro

Fabi - Minha vida não mudou muito, mas com certeza o prestígio hoje em dia é muito maior. Antes as pessoas sabiam que eu era uma jogadora de vôlei, hoje todas sabem que eu sou a Fabi, líbero da Seleção campeã olímpica. Passei as férias no nordeste e fiquei impressionada com o carinho e o reconhecimento. Isso é muito gratificante. O ouro nos deu muito mais visibilidade. Mas a melhor mudança mesmo é abrir o meu armário e poder ver aquela medalha de ouro. É uma sensação única e que dificilmente vai se repetir.



Oportunidades

Fabi - É claro que a conquista nos deu a oportunidade de captarmos mais dinheiro em outras áreas, de fazermos melhores contratos e conseguirmos bons negócios. Temos que aproveitar o momento, pois somos profissionais e temos uma carreira curta. O importante agora é manter o foco, a regularidade e nossa responsabilidade em servir a Seleção Brasileira.


Capitã

Fabi - Eu jamais me sentiria frustrada por não ser a escolhida do Zé Roberto Guimarães para ser a capitã caso eu pudesse. Liderança é uma coisa natural e na Seleção existem várias líderes, independentemente de quem seja a capitã. Sei da minha importância para o grupo e dou minha contribuição da melhor maneira possível. O Zé sempre conversa com as mais experientes antes de qualquer decisão e acho que ele acertou em escolher a Dani Lins. Ela está chegando à Seleção agora e terá uma responsabilidade enorme de substituir a Fofão. Acho que foi um voto de confiança dele e a Dani vai tirar isso de letra. Ela ficou um pouco surpresa na hora, mas com a ajuda de todas vai lidar muito bem com essa pressão.




Veterana

Fabi - Hoje eu sou a mais velha e tenho que assumir esse papel. Mas esse peso vai ficar só na idade mesmo, pois fisicamente eu pareço muito mais nova. Mas é engraçado depois de sete anos de Seleção ver que o tempo passou e que da mais nova eu me tornei a mais velha. Isso mostra que eu venci várias etapas, fiz um ótimo trabalho e ainda tenho valor.


Futuro da Seleção

Fabi - A primeira impressão foi a melhor possível. Eu vejo um grupo jovem, de muito talento e pronto para encarar um novo ciclo olímpico como uma grande oportunidade. Jogadoras como Fofão e Waleswksa são insubstituíveis pela liderança e qualidade e farão muita falta, mas vamos suprir essas ausências com muito trabalho e dedicação. Jovens como a Adenizia, Natália, Dani Lins e Ana Tiemi estão comprometidas em manter essa nova geração vitoriosa. O ano pós Olimpíada é sempre difícil e de dúvidas, mas estou muito esperançosa.

Fonte: Vôlei Brasil
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